O Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL) recebeu, nesta quarta-feira (10), denúncias sobre o funcionamento de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) que operam em Maceió. Os problemas relatados envolvem atraso no repasse de salários dos médicos e até a falta de insumos essenciais para atender a população. As irregularidades foram apontadas nas UPAs do Tabuleiro e do Jacintinho, ambas localizadas na parte alta da cidade e sob responsabilidade do Governo do Estado.

De acordo com a denúncia, os problemas nas duas unidades de saúde são inúmeros. Os locais carecem de medicamentos para dor, como tramal e morfina, e também de antibióticos. Além disso, as queixas apontam para a falta de materiais de sutura e de um médico ortopedista que atenda a população no período noturno. As máquinas para a realização de exames de raio-X também estariam quebradas e todos os consultórios sem ar-condicionado há pelo menos seis meses.

Os relatos apresentados ao Sinmed/AL revelam ainda pacientes internados por longos períodos, o que fere a norma de funcionamento das UPAs. Elas foram criadas pelo Ministério da Saúde para atender apenas casos de urgência e emergência, por no máximo 48 horas, já que não possuem a mesma infraestrutura de um hospital. Nos locais citados, o número de médicos plantonistas também estaria insuficiente para atender a demanda de pacientes, conforme o mínimo exigido pelo regimento interno das unidades.

“Os problemas relatados nessas duas UPAs são graves e comprometem a assistência à população. Não podemos aceitar que médicos trabalhem sem condições adequadas, com perdas de salários, e que a população seja prejudicada pela falta de insumos e de profissionais. Vamos cobrar respostas e soluções urgentes”, enfatizou a presidente do Sinmed/AL, Sílvia Melo.

Atrasos salariais

A falta de repasse salarial também foi outro problema descrito no funcionamento das UPAs do Tabuleiro e do Jacintinho. Segundo as informações recebidas pelo Sinmed/AL, os médicos sofreram atrasos salariais recorrentes em 2025. Os pagamentos eram realizados de maneira irregular, com acúmulo de até três meses de atraso. O transtorno teria se agravado pela maneira como as duas unidades de saúde eram administradas.

A administração das UPAs do Tabuleiro e do Jacintinho era feita de maneira terceirizada por uma Organização Social (OS), que atuava mediante contrato de gestão feito pelo Estado. No entanto, a OS teria repassado a gestão financeira das UPAs para outra Organização Social. A prática pode caracterizar quarteirização, quando uma empresa terceirizada repassa a execução do contrato a outra entidade.

Quem vai pagar a conta?

Após os inúmeros problemas administrativos, a Sesau resolveu assumir em abril deste ano a gestão direta das duas UPAs. No entanto, o Sinmed/AL quer esclarecimentos sobre onde está o salário atrasado dos médicos, da época em que as UPAs eram geridas pelas terceirizadas, e quando o valor será pago no meio desse imbróglio.

“É muito preocupante que unidades de saúde responsáveis pelo atendimento de urgência e emergência enfrentem falta de medicamentos, dispensa de profissionais e atrasos salariais recorrentes. O Sinmed/AL vai cobrar esclarecimentos e providências imediatas para garantir condições dignas de trabalho aos médicos e um atendimento seguro à população”, afirmou a presidente do Sinmed/AL, Sílvia Melo.