A cobertura de feminicídios no Brasil exige mais do que manchetes impactantes: requer sensibilidade, responsabilidade e compromisso com os direitos humanos. Esse foi o foco do painel realizado no Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que discutiu como fugir do viés policialesco e aprofundar as reportagens sobre a violência de gênero no país.
Entre as palestrantes do painel esteve a jornalista alagoana Raíssa França, fundadora da Agência Eufêmea — o primeiro veículo de comunicação de Alagoas com foco exclusivo em conteúdo feminino. Para ela, participar do congresso representou mais do que uma conquista pessoal.
“Levar o nome da Eufêmea para um evento internacional como o da Abraji é mostrar que existe um outro jeito de contar histórias sobre mulheres — com respeito, escuta e protagonismo”, afirmou em entrevista ao Jornal do Abidias.
Raíssa compartilhou com o público a experiência de construir um jornalismo que evita a revitimização de mulheres e busca alternativas narrativas ao lugar-comum das páginas policiais. A jornalista defendeu a apuração cuidadosa e o olhar empático como ferramentas centrais para romper com estigmas e garantir que as vozes femininas sejam ouvidas e respeitadas.

Além de Raíssa, o painel contou com a participação de Mariama Correia, editora e repórter da Agência Pública, referência no jornalismo investigativo. Juntas, as jornalistas trouxeram reflexões sobre práticas editoriais e desafios na cobertura de um problema que permanece endêmico no Brasil: o assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres.
Com um currículo reconhecido nacionalmente — incluindo o Troféu Mulher Imprensa (2023) e prêmios como Sebrae Mulher de Negócios e Sincor de Jornalismo —, Raíssa França reforça que a missão da Agência Eufêmea é dar visibilidade às mulheres e promover um jornalismo transformador.
“Nossa atuação é local, mas o impacto é coletivo. Precisamos de mais espaços que escutem mulheres e levem isso a sério na prática jornalística”, conclui.


