O primeiro Encontro Nacional de Letramento Digital para Povos Originários foi considerado um marco histórico para a inclusão digital no Brasil, consolidando um espaço de diálogo entre saberes ancestrais e tecnologias contemporâneas. Realizado durante o 7º Seminário Internacional de Informação, Tecnologia e Inovação, o evento aconteceu no Centro de Inovação de Maceió, no bairro de Jaraguá, e contou com a presença de indígenas da comunidade Aconã, de Traipu (AL).

Autoridades durante o evento. Foto: Instituto Anjos Digitais. 

Em entrevista exclusiva ao Jornal do Abidias, Rossana Moura, CEO do Instituto Anjos Digitais e doutoranda pelo Departamento de Comunicação e Artes da Universidade de Aveiro (Portugal), destacou que o encontro “foi um momento de despertar, onde povos originários, poder público, sociedade civil, pesquisadores e estudantes dialogaram e começaram a pensar políticas públicas voltadas para os povos indígenas”.

Segundo ela, a participação da Universidade e de estudantes foi essencial para abrir novos caminhos no campo da pesquisa e da extensão. “É importante ver os estudantes se envolvendo em trabalhos sociais. As trocas foram ricas, e o evento permitiu articular novas parcerias e formular propostas de políticas públicas voltadas à inclusão digital com identidade e pertencimento”, afirmou Rossana.

O principal objetivo do encontro foi promover o debate sobre letramento e inclusão digital nas comunidades indígenas, fortalecendo suas capacidades de comunicação, o controle social de políticas públicas, o escoamento da produção, o desenvolvimento econômico sustentável e o registro e difusão de saberes tradicionais por meio da tecnologia — sempre de forma crítica e contextualizada.

Rossana Moura, CEO do Instituto Anjos Digitais. Foto: Evelly Martins (arquivo Jornal do Abidias).

Rossana Moura, que atua com inclusão digital em áreas rurais, ribeirinhas e comunidades tradicionais desde 2000, também coordenou o Projeto Territórios Digitais – Inclusão Digital no Meio Rural do Brasil.

A próxima edição do Encontro Nacional de Letramento Digital para Povos Originários está prevista para 2026, com possibilidade de acontecer no agreste pernambucano. A expectativa, segundo Rossana, é ampliar a participação de lideranças indígenas de diferentes regiões do país, fortalecer as redes de colaboração formadas na primeira edição e aprofundar a construção coletiva de estratégias para o fortalecimento da inclusão digital de forma sustentável, intercultural e com respeito à territorialidade.

Indígenas da Comunidade Aconã durante o evento. Foto: Evelly Martins.