O chamado “golpe do falso advogado” tem feito vítimas em Alagoas e preocupa a advocacia. Criminosos estão se passando por profissionais reais para enganar clientes de escritórios e obter vantagens financeiras indevidas. O alerta é do diretor especial do SINDAV/AL (Sindicato dos Advogados e Advogadas do Estado de Alagoas), Marcelo Lima, que concedeu entrevista sobre o tema.

Segundo ele, os golpistas conseguem acesso a informações processuais por meio dos sistemas de Justiça, já que muitos dados são públicos. Com isso, entram em contato com os clientes utilizando aplicativos de mensagem, por números diferentes dos oficiais, mas com a logomarca do escritório no perfil.

“Eles informam que a causa foi ganha e dizem que é necessário fazer um pagamento antecipado para liberar valores. A vítima, acreditando que fala com seu advogado, transfere o dinheiro e acaba no prejuízo”, explicou.

A prática tem se sofisticado com o uso de inteligência artificial. De acordo com Marcelo Lima, já há registros de envio de áudios e até vídeos manipulados, nos quais os criminosos simulam a voz e a imagem dos advogados, aumentando o poder de convencimento da fraude.

Jornalista Abidias Martins e advogado Marcelo Lima. Foto: Evelly Martins.

Medidas de prevenção

Para coibir o avanço do crime, órgãos do sistema de Justiça, a Ordem dos Advogados e os próprios escritórios têm adotado medidas de segurança. Entre elas, está a implementação de verificação em dois fatores nos sistemas processuais, dificultando acessos indevidos.

Além disso, todo advogado que acessa um processo deixa sua inscrição na OAB registrada no sistema, o que possibilita eventual responsabilização em caso de irregularidades.

Os escritórios também podem incluir cláusulas contratuais alertando os clientes sobre a existência desse tipo de golpe, reforçando que não solicitam pagamentos por números desconhecidos ou fora dos canais oficiais.

Orientação à população

A principal orientação é desconfiar. Caso um número diferente entre em contato em nome do advogado ou do escritório, a recomendação é não responder e confirmar a informação diretamente pelos canais oficiais já conhecidos.

“É fundamental que a vítima registre boletim de ocorrência. Isso ajuda no rastreamento, na investigação e na eventual prisão e responsabilização dos golpistas”, reforçou o diretor do SINDAV/AL.

A orientação é clara: informação e cautela são as principais armas para evitar prejuízos.