O Projeto Terreiros Digitais tem contribuído para ampliar o acesso à tecnologia e fortalecer o empreendedorismo em comunidades de religiões de matriz africana. Realizada em maio deste ano na comunidade liderada por Pai Wagner, em Maceió, a iniciativa é desenvolvida pelo Instituto Anjos Digitais e pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Ao todo, 20 pessoas participaram da capacitação, que abordou ferramentas digitais, identidade digital, fotografia, vídeo, comunicação e economia digital, conectando os saberes tradicionais às possibilidades do ambiente virtual.

Uma das participantes é Estefanne Dina da Silva, designer gráfica que trabalha com a produção de canecas, camisas e bolsas personalizadas. Após dez anos de experiência em gráficas, ela montou o próprio negócio, que funciona em sua residência. Com os conhecimentos adquiridos durante o projeto, passou a utilizar a inteligência artificial, organizar melhor as finanças e aprimorar a divulgação dos produtos. 

“Aprendi a utilizar a inteligência artificial, criar QR Codes e fazer uma planilha de gastos. Com os QR Codes, também passei a produzir placas, que imprimo, plastifico e vendo. Além disso, aprendi a organizar o portfólio dos clientes e a usar melhor as redes sociais”, destaca Estefanne.

Estefanne Dina da Silva. Foto: Evelly Martins.

A empreendedora Suzana Campos, que há sete anos comercializa perfumes, banhos e produtos ligados às práticas espirituais, além de jogos de cartas e búzios, também encontrou na formação novas possibilidades para o negócio. Com entregas para todo o Brasil, e até para o exterior, ela utiliza as redes sociais para divulgar os produtos e alcançar clientes. Durante a capacitação, aprimorou o uso de ferramentas digitais, como o Canva, plataforma de criação de conteúdos gráficos. 

“Aprendi a utilizar melhor algumas ferramentas, como o Canva, e isso ajudou bastante no meu negócio. Consegui melhorar a produção de conteúdos e potencializar as redes sociais para divulgar meus produtos. Com isso, também vieram novos clientes”, afirma Suzana.

Suzana Campos. Foto: Evelly Martins.

Para Pai Wagner, líder religioso da comunidade onde ocorreu a formação, o projeto vai além da aprendizagem técnica e contribui para o enfrentamento da desinformação e das notícias falsas na internet. Ele destaca que o letramento digital permite que os participantes utilizem a tecnologia de maneira mais consciente, fortaleçam seus empreendimentos e ampliem a comunicação com a sociedade. A iniciativa também representa uma oportunidade de valorização das comunidades tradicionais, promovendo o acesso ao conhecimento e a inclusão digital.

Pai Wagner espera que novas capacitações sejam realizadas na comunidade, ampliando o alcance da iniciativa e beneficiando outros públicos, especialmente os idosos. 

“Esperamos que novos cursos sejam oferecidos, inclusive para ajudar os idosos a compreender melhor as ferramentas digitais e a utilizar a internet com mais segurança e autonomia”, ressalta. 

Pai Wagner. Foto: Evelly Martins.

A expectativa é que o Projeto Terreiros Digitais continue contribuindo para reduzir barreiras tecnológicas, combater a desinformação e criar novas oportunidades de desenvolvimento para as comunidades de religiões de matriz africana.