O dia de Corpus Christi, expressão em latim que significa “Corpo de Cristo”, é uma das celebrações mais tradicionais do calendário da Igreja Católica. Celebrado sempre na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade — ou seja, 60 dias após a Páscoa — o feriado religioso convida fiéis a refletirem sobre um dos principais dogmas da fé católica: a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia.
A origem da festa remonta ao século XIII, na Bélgica. Em 1247, por influência da freira agostiniana Juliana de Cornillon, que dizia ter visões de Cristo pedindo uma festa dedicada ao sacramento da Eucaristia, o bispo de Liège instituiu uma celebração local. Anos mais tarde, em 1264, o Papa Urbano IV oficializou a data como uma solenidade da Igreja, estendendo-a a todo o mundo católico. A decisão também foi motivada por um episódio conhecido como Milagre de Bolsena, quando um sacerdote, que duvidava da presença de Cristo na hóstia consagrada, teria presenciado a hóstia sangrando durante uma missa.
No Brasil, o feriado de Corpus Christi é amplamente celebrado com procissões e a confecção de tapetes decorativos, feitos com serragem colorida, sal, flores, areia e outros materiais. Essas manifestações artísticas e religiosas transformam ruas de várias cidades em verdadeiros corredores de fé, por onde passa o ostensório — objeto litúrgico que carrega a hóstia consagrada — durante as procissões.
Mais do que um evento litúrgico, Corpus Christi representa um momento de comunhão e renovação espiritual para milhões de católicos, sendo também um símbolo da união entre fé, cultura e tradição. Embora não seja um feriado nacional obrigatório, diversos municípios e estados brasileiros adotam a data como feriado local, o que reforça sua importância no imaginário coletivo do país.
A celebração segue viva nas comunidades, unindo arte, devoção e história — em uma expressão única da fé cristã que atravessa os séculos.

