A educação em Pilar, município da região metropolitana de Maceió, tem sido palco de uma verdadeira revolução. Distante cerca de 35 km da capital alagoana, a cidade abriga a primeira escola pública bilíngue do Norte e Nordeste do Brasil. Em funcionamento desde 2022, a unidade já transformou a rotina de 170 estudantes do 1º ao 4º ano, que hoje aprendem todas as disciplinas inteiramente em inglês.
Na sala de aula o acolhimento já surpreende: "Welcome to our school" (Bem-vindos à nossa escola!), dizem as crianças, com pronúncia segura e entusiasmo no olhar. A professora Ana Carolina Silva comanda uma aula de ciências sem usar uma palavra em português. Para os alunos, aprender inglês não é mais um desafio — é parte do cotidiano.

Entre as estudantes está Maria Júlia, a Maju, de apenas 9 anos, que já se comunica fluentemente no idioma e se tornou até uma pequena influenciadora digital na cidade, apresentando produtos e serviços com carisma e desenvoltura.
“Eu amo estudar aqui! A gente brinca, aprende inglês e ainda grava vídeos. Eu ensino palavras novas pros meus seguidores. Meu sonho é viajar pra fora e falar inglês com todo mundo", disse Maju.
A mãe, Camila Ferreira, funcionária da escola, acompanha de perto esse desenvolvimento e comemora o impacto positivo. “Quando eu vejo minha filha falando inglês com tanta naturalidade, meu coração se enche de orgulho. Eu trabalho aqui, acompanho de perto... mas mesmo assim me emociono. É como se ela tivesse ganhado asas, sabe? Tá aprendendo coisas que eu nunca tive a chance de aprender", destacou.

Coordenadora pedagógica da unidade, Islane Crisóstomo destaca que a escola já ocupa o primeiro lugar em desempenho entre as instituições do município. O método utilizado é o Systemic Bilingual, cuja principal proposta é ensinar os conteúdos do currículo nacional em inglês, e não apenas sobre o idioma.
Segundo Vanessa Tenório, CEO e cofundadora do Systemic Bilingual, o diferencial está justamente na abordagem natural e integrada: “A aula não é de inglês. É matemática, história, ciências... tudo no segundo idioma. Isso muda completamente o modo como a criança aprende e se expressa”, explica.

O sucesso da iniciativa levou o secretário municipal de Educação, Clewerton Cavalcante, a planejar a expansão do modelo para outras unidades da rede. “O que acontece aqui é transformação. E a gente quer multiplicar isso”, afirmou, após ser recebido com abraços pelos próprios alunos.
O acesso à escola é feito por meio de edital anual, que analisa critérios como frequência escolar, idade mínima de 6 anos, condição social da família, inclusão de crianças com deficiência e reserva de 10% das vagas para estudantes oriundos da rede privada — o que já levou famílias a migrarem do ensino particular para o público.
Foi o caso de Alice Maria, de 8 anos, que trocou a escola privada pelo modelo bilíngue. “Eu gosto de tudo aqui na escola! E a professora fala inglês igual nos filmes", disse a estudante sorrindo. Hoje, ela e a mãe, Adriana dos Santos, comemoram a escolha. “Foi um grande benefício pra nossa família”, diz Adriana.

Além do ensino em inglês, os alunos têm acesso a um complexo esportivo, alimentação escolar de qualidade e acompanhamento pedagógico integral. Um conjunto de ações que aponta para um futuro promissor — e bilíngue — no interior de Alagoas.

