A equipe econômica do governo Lula trabalha com uma estimativa de salário mínimo de R$ 1.717 para 2027, o que representaria um aumento de 5,9% em relação ao valor atual de R$ 1.621. A previsão constará do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, que será divulgado na quarta-feira (15) juntamente com a meta de superávit fiscal de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O PLDO estabelece as bases gerais do Orçamento do próximo ano e serve como guia para a elaboração da lei orçamentária anual.

O valor oficial do salário mínimo, no entanto, só será conhecido no final de 2026. O cálculo seguirá a regra em vigor desde 2024: o reajuste será composto pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano, que mede a inflação das famílias de baixa renda, mais um ganho real fixo de 2,5%. Além de orientar os salários de milhões de trabalhadores, o piso nacional é referência para aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) são atrelados ao salário mínimo, o que dá dimensão do impacto fiscal da medida.

O aumento proposto visa mitigar os efeitos da inflação e garantir o poder de compra dos trabalhadores, mas também pressiona as contas públicas. O governo precisa equilibrar o Orçamento, já que o reajuste repercute em diversas áreas, desde o setor judiciário até indenizações e despesas com pessoal. Para os microempreendedores individuais (MEIs), a contribuição previdenciária mensal é calculada com base no salário mínimo, o que exigirá adaptação financeira dos pequenos negócios. A meta de superávit de 0,5% do PIB indica o esforço do governo para manter as contas públicas no azul, mesmo com o aumento de despesas obrigatórias. O PLDO será publicado na quarta-feira, e o mercado e os trabalhadores aguardam os detalhes da proposta.